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Um Xeque-Mate Anunciado - Por Mario Garnero*

Maxpress 23/10/2014 19:14

Numa conversa recente com um competente e articulado ministro, não pudemos deixar de comentar as medidas que o governo da Colômbia adotou para eliminar de forma sistemática toda a burocracia envolvendo investimentos e negócios em seu país.

Foram definidos, classificados e estabelecidos os entraves que impediam o trânsito mais fluente da economia colombiana e todos foram enfrentados com uma coragem que, política e institucionalmente, é de dar muita inveja. Ainda mais no Brasil.

Afinal, ninguém precisa mencionar exemplos que são quase folclóricos de tudo que dificulta tão desnecessariamente a vida de qualquer empresário ou investidor no Brasil. Na verdade, nossa inflação (que preocupa cada vez mais), nossa dívida pública (que se torna também cada vez mais igualmente inquietante) e todos os outros problemas econômicos e burocráticos que impedem nosso desenvolvimento deveriam ser enfrentados não só com a abrangência, mas principalmente com a coragem com que foram enfrentados pela Colômbia. Da nossa coragem depende nosso futuro.

Num relatório tão valioso quanto completo, o Instituto Global McKinsey relacionou três grandes eventos que vêm projetando reconhecidamente o Brasil no panorama mundial: além da recente Copa do Mundo e da futura Olimpíada de 2016, o Instituto cita nossas recentes conquistas de estabilidade econômica e democrática e a diminuição da taxa de pobreza, reduzida pela metade, desde 2003.

Mas os elogios às nossas conquistas não passam, na verdade, dos primeiros parágrafos de seu relatório intitulado: Conectando o Brasil ao mundo: um caminho para o crescimento inclusivo (em tradução livre), de 104 páginas. O relatório se inicia com uma série de números que, para qualquer empresário brasileiro, devem soar como justificativas incômodas para explicar muito bem todos os nossos problemas. Vale a pena relembrar: o Brasil é a 7ª economia mundial em termos de seu Produto Interno Bruto, mas a 95ª em Produto Interno Bruto per capita; em termos de qualidade de sua infraestrutura, o país foi classificado em 114º lugar pelo Fórum Econômico Mundial e em 124º por sua facilidade de negociar externamente pelo Banco Mundial. A última avaliação parece ser complementada por uma porcentagem também preciosa para qualquer empresário no Brasil: a de que, com maiores e mais sólidas conexões globais, o Produto Interno Bruto poderia crescer potencialmente pelo menos 1,25 ponto percentual em sua taxa anual.

E por falar em taxas, venho insistindo mais vezes do que gostaria em relembrar que o ritmo de nosso desenvolvimento vem se arrastando com uma lentidão escandalosa pelo menos desde 2012, com uma taxa de ineficiência que só é superada pelo valor das taxas de nossos tributos. O Instituto McKinsey é claro: “o crescimento da produtividade, que é a chave para se elevar salários e padrões de vida”, afirma seu relatório, “será a chave para fortalecer a classe média”.

Nas análises de nossos melhores economistas, sociólogos e mesmo teóricos do direito e da política (como o professor Mangabeira Unger), é mais que notório o papel crucial desempenhado pela classe média no arranjo tático de nossos possíveis avanços estruturais. Mas existe muito mais em jogo.

O Brasil caminha para um xeque que, se não for mate, será suficientemente grave para colocar todas nossas peças num alvoroçado alerta. Está na hora de fazermos soar esse alarme com a urgência que merece. Um alerta que a Colômbia, mais que reconhecer, soube colocar gloriosamente em prática.

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