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Brasil retira o controle de preços do etanol; China e Brazil podem formar JVs

Xu Weiwei 06/11/2014 11:01

A campanha presidencial brasileira ainda não chegou ao fim, mas a revolução promovida pelo baixo preço do etanol permanece inalterada. Mario Garnero, 'pai do carro a álcool', e Presidente do Conselho do Grupo Brasilinvest, disse, em entrevista a 21st Century Business Herald, que o Brasil retirou seu controle sobre o preço do etanol, reintroduzindo mecanismos de mercado sobre o preço do etanol antes da eleição.

'Esta nova política vai aumentar a competitividade da indústria de etanol no Brasil', afirmou Garnero. 'O Brasil exporta cerca de 5 milhões de metros cúbicos de etanol por ano. Se a nova política entrar em vigor, a expectativa é sejamos responsáveis por um terço da demanda mundial de etanol, cerca de 15 milhões de metros cúbicos.”

Com a cana de açúcar como sua principal matéria-prima, a indústria brasileira de etanol tem mais de 30 anos de história. Atualmente, o Brasil é o maior exportador e produtor mundial de açúcar, bem como o segundo maior fabricante de etanol atrás dos Estados Unidos. Garnero estima que, atualmente, 94% dos carros no Brasil são capazes de rodar com etanol através dos motores flex.

No que se refere à cooperação entre a China e o Brasil no campo de energias renováveis, como o etanol, Garnero acredita que, além de expandir o comércio, ambas as partes devem formar joint ventures no setor. 'Como membros do BRICS, a China e o Brasil poderiam fazer uso das oportunidades oferecidas pelos produtos derivados do etanol para construir um bom sistema de comércio de importação e exportação.'

Garnero pondera que, apesar da Chery, JAC Motors e BYD Auto – todas com fábricas já construídas no Brasil –, investimentos chineses no etanol brasileiro são limitados. 'No entanto, muitas empresas chinesas manifestaram grande interesse no mercado de etanol brasileiro'. Se por um lado, as importações chinesas de etanol brasileiro atualmente são pequenas, Garnero acredita que a demanda chinesa por bio-combustível continuará a crescer.

Controle de preços intangível em etanol

Em 1995, o governo brasileiro decidiu regulamentar a produção e venda de etanol através do mecanismo de mercado, pondo fim a intervenções governamentais.

Com o objetivo de conter a inflação, o Brasil impôs um teto de preço na gasolina a partir de 2006. A presidente Dilma Rousseff fixou o limite do preço da gasolina por meio da Petrobras, a companhia de petróleo estatal, na tentativa de limitar o crescimento da inflação, que é a terceira mais alta da América Latina.

No entanto, essa política afetou os preços do etanol indiretamente. Os custos de produção do etanol brasileiro dispararam nos últimos anos. De acordo com as estatísticas da Orplana, uma organização formada por agricultores de cana do Centro-Sul brasileiro, de 2005 a 2010, o custo do aluguel da terra aumentou em 57%, enquanto o custo do trabalho cresceu 47% e de máquinas de fabricação, 28%.

Quando o preço do etanol aumenta muito, os consumidores tendem a escolher a gasolina. Geralmente, o etanol tem um custo 30% menor do que a gasolina. Todos os postos de gasolina no Brasil são obrigados pelo Governo Federal a adicionar ao menos 25% de etanol à gasolina que vendem.

A imprensa local acredita que este intangível controle de preço do etanol dificulta o investimento de capital no Brasil. Garnero salienta que os produtores de etanol tiveram lucros limitados, o que era desfavorável ao desenvolvimento da indústria, de modo que o governo reintroduziu um mecanismo de mercado novamente este ano.

Para Garnero, já que o governo concedeu crédito fiscal ao etanol, os consumidores não precisam preocupar-se com um enorme aumento nos preços.

O desenvolvimento do mercado de etanol

Em setembro deste ano, o governo brasileiro anunciou um crédito fiscal para as indústrias nacionais de cana e etanol. O Ministro da Fazenda, Guido Mantega, declarou que, como parte de um plano amplo para estimular as vendas externas, os exportadores de etanol e cana de açúcar receberão um crédito fiscal de 0,3% do seu valor de exportação em vigor imediatamente, bem como um empréstimo de 3% a partir do início do próximo ano.

Mantega afirmou que a nova medida 'irá baixar o preço das exportações brasileiras, compensando qualquer futura valorização do real.”

Garnero declarou ao repórter que a Joint Alcohol Fuel Alliance (JAFA), lançada pelos países do que usam etanol, como Brasil, China, Estados Unidos e Israel, se reunirá em dezembro em Israel para discutir as formas de desenvolver o mercado de etanol.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, propôs a criação da JAFA no ano passado a durante a conferência Global Energy Replacement Summit. A JAFA terá rotações de cadeiras e reuniões regulares para promover o uso do etanol em todo o mundo.

O Brasil tem uma longa tradição no uso da fermentação da cana-de-açúcar para produzir etanol. Em 1903, o país realizou a 1º Exposição Nacional de Aparelhos a Álcool. Em 1923, a produção anual de álcool industrial já era de 150 milhões de litros.

Sob o impacto da crise global de petróleo de 1973, o governo brasileiro começou a substituir a gasolina por etanol a partir de 1975, a fim de reduzir a dependência do país das importações de petróleo. O governo federal estabeleceu incentivos para encorajar o uso e o desenvolvimento de automóveis movidos a etanol. Ao final dos anos 1980, haviam sido produzidos cerca de 4 milhões de veículos movidos a etanol no Brasil. Esta mudança ajudou o Brasil a superar a crise do petróleo e facilitou a produção da indústria de cana de açúcar, criando uma grande demanda por mão-de-obra.

 

O rápido desenvolvimento da indústria de etanol também garantiu, em certa medida, a otimização da estrutura energética e a expansão da bioenergia no Brasil. Para reduzir as emissões de carbono, todos os postos de gasolina no Brasil são obrigados a adicionar pelo menos 25% de etanol à gasolina. Em comparação à gasolina tradicional, o etanol reduz em até 90% as emissões de carbono.

21 Century Business Herald